LIVE AT PIANISTICO RELEASE

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Por Márcio Grings

  Os estranhos dias vividos durante o triênio 2020/21/22 ficarão na história, pois cada um de nós teve sua cota de sacrifício. Durante esse período, por inúmeras vezes troquei telefonemas e mensagens com Luciano Leães, dividindo dilemas e compactuando aspirações. Ao longo da pandemia, em meio a pausa de apresentações ao vivo, o músico fez diversos lives streamings e participou de esparsos shows presenciais. O convite para tocar ao vivo da 3.ª edição do Pianístico o animou, como se fosse ‘o ensaio de orquestra’ para um retorno aos palcos. O festival realizado entre os dias 3 e 6 de dezembro de 2020, em Joinville, Santa Catarina, agrupa a maioria do material deste álbum. Depois soube que a cada nova junção o evento realizado no Sul do Brasil

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LUCIANO LEÃES

     To affirm Luciano Leães as one of the best blues and R&B musicians of current times is no exaggeration. In the words of Bob Lohr, Chuck Berry’s pianist for more than 10 years, “Luciano is one of the most amazing rhythm and blues New Orleans style musicians. He plays so well and with so much soul that if you happened to be a pianist, after hearing him perform, you would do one of two things: abandon it or practice more. He is definitely one of the best guys who plays New Orleans classic style.

     For more than 25 years, this Brazilian musician has performed regularly in bars, nightclubs, events and major festivals worldwide. Credited with four Açorianos Music Awards, his debut CD, “The Power of Love” (2015), is a testament to his talent as a musician and a composer. The album, mixed and mastered in Nashville, Tennessee (USA) by North American sound engineer and producer Russ Ragsdale, renowned for his extensive experience with artists including Michael Jackson, Muddy Waters, Leon Russell, Edgar Winter, and the Travelling Wilburys. The producer stated, “This is one album that people will continue to listen to in the years to come. Leães command and skill on the keyboard together with the way he expresses himself and seeks the influence of his favorite artists brings the past to a current perspective. Listening to the eleven tracks on The Power of Love is like falling into the rabbit’s hole from Alice in Wonderland providing an incredible experience of multisensory images.”In the words of Ron Levy, American producer and musician who played with BB King and Albert King, “What is the perfect mix between New Orleans R&B and Brazilian soul? Luciano Leães & The Big Chiefs ‘The Power of Love'.

     Leães has shared the stage with important international Blues artists such as Carey Bell, Magic Slim, Earl Thomas, Hubert Summlin, Larry McCray, Wee Willie Walker, and John Primer amongst others. As sideman, Leães toured the USA and Europe with singer Annika Chambers, winner of the best singer of soul and blues at the 2019 Blues Music Awards. At the end of 2018, he released a live version of “Song for JB”. The single was a result of a recording from a show with the Unisinos Anchieta Orchestra. Conducted by Evandro Matte, the theme had an arrangement by Alexandre Ostrovoski Junior. The single won awards in Brasil and got airplay from New Orleans radio station WWOZ. In 2019 Luciano payed at the Jazz Fest, Mapple Leaf and Tipitina's in New Orleans.

    “Luciano blew the public away with his musicality. He plays with a mixture of passion, energy, talent, charm and humor. When performing songs of his idols, he manages to imprint his own mark in his concerts. Watching him play live is impressive in the way he plays with ease and enchants his public”, declared Fred Kasten, broadcaster of WWOZ. Fascinated by the artistic legacy of New Orleans, Luciano Leães is currently preparing his next tour of the north American city. He has become a well-known figure on the local scene having played at the meccas of north American blues like Maple Leaf. In the upcoming months, this musician is preparing new material that seeks the roots of north-American black music while probing into the inroads and crossroads of Caribbean sonority. At the same time, focusing on the rich heritage that RS shares not forgetting the influence of south American traditional folk music.

       aglutina a nata dos músicos locais e sul-americanos, além de trazer artistas de várias partes do mundo. Nesse importante intercâmbio, gêneros se mesclam — erudito, jazz, blues, música popular brasileira etc. Inicialmente, Luciano Leães não pretendia lançar um álbum ao vivo dessa apresentação, mas o trabalho acabou materializado graças ao incentivo do produtor Russ Ragsdale (Nashville, TEN) e de Tom Worrell (New Orleans, LA), pianista residente em New Orleans. Os norte-americanos ficaram entusiasmados com o que ouviram, convencendo o músico brasileiro a lançar o concerto como um álbum ao vivo. Eles estavam absolutamente certos...   

   O cenário de isolamento e restrições imposto pelo confinamento social não permitiu que Luciano Leães (piano e voz), Edu Meirelles (baixo) e Ronie Martinez (bateria) fizessem ensaio algum e, assim, eles escolheram o caminho da improvisação, o que atribuiu interessantes ineditismos ao registro. O resultado dessa captação ressoa como um conjunto de canções deslocado no tempo, transversal, oferecendo um passaporte para qualquer lugar ou época, basta acionarmos nossa memória afetiva, principalmente, se assim como eu, você gosta de blues, jazz, de música latina ou instrumental.

   A matriz africana dos povos americanos faz parte da nossa teia social. Esse sincretismo nos forjou, uma mistura recorrente em todas as pontas do continente, o que nos leva a questionar, por exemplo, se há de fato tanta diferença entre o maracatu de Pernambuco e o Second Line das ruas de New Orleans? Acredito mais na similaridade entre ambos, assim como no flerte mútuo entre o samba e o jazz temperou a música em várias partes do mundo. Apesar disso tudo, talvez pela ótica de muitos, a pergunta ainda seria: quais fatores levariam um garoto no Sul do Brasil a se tornar um pianista ligado ao blues? Mesmo no país do samba, pulverizado de inúmeros sobretons regionais, se olharmos para a expansão do mercado discográfico nos anos 1950/60/70, é necessário relembrar que esse fenômeno mudou o acesso à música para muitos. Não diferiu com os discos advindos do mercado norte-americano — centenas de milhares de LPs giraram nos toca-discos brasileiros, chegando até às mãos de milhões de pessoas. Assim, misturados aos títulos de música brasileira, italiana, francesa e sul-americana etc, lá estavam os vinis de jazz, blues e soul.

   Em um cenário semelhante a esse, certo garoto começou a prestar mais atenção no que ouvia nas caixas de som. Somando-se a isso, seus tios pianistas propagavam ritmos e canções nas festas familiares, principalmente na casa de seus avós Odila e Maneco, compradores de álbuns de tango, apaixonados por uma diversidade de estilos regionais e que frequentemente costumavam usar a sala de casa como um salão de baile. Afinal, a família Leães sempre muito musical, seja como ouvintes ou músicos amadores. A ponte musical absorvida entre a adolescência e a vida adulta de Luciano Leães o transformou. Morador de Porto Alegre, RS, com cerca de apenas 20 anos, o jovem pianista já dividiria o palco com nomes como Carey Bell, Hubert Sumlin e John Primer, para depois, ao longo dos anos realizar turnês com Bob Stroger, Annika Chambers, Wee Willie Walker, Tia Carroll, Earl Thomas, entre outros.

Os shows do músico detêm como característica promover uma conexão direta com a ambiência de cada local. Isso lega singularidades ao que é tocado noite após noite. Já o assisti ao vivo algumas vezes e cada noite sempre foi diferente da outra. Essa singularidade pode ser percebida no setlist de Joinville, ainda mais quando eu soube que o repertório do show foi discutido e ensaiado primeiramente à distância e, afinado só durante a viagem, no carro.

Além da apresentação presencial no Pianístico Festival (que batiza esse trabalho), duas faixas bônus – captadas em lives realizadas durante a pandemia — fecham o material: uma delas registrada em apresentação virtual no Jim Beam Bourbon & Blues Fest, e a outra foi gravada no Estúdio do Arco, num projeto da FAC Digital, financiado com recursos públicos.    

   O ouvinte pode ter certeza: “Live At Pianistico” é um símbolo de como a música pode incorporar aquilo que ela quiser ser, se conectando às diversas fontes de inspiração, e mesmo assim soando como algo original e genuíno. 

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STAGE PLOT / INPUT LIST

LUCIANO LEÃES COMBO

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LUCIANO LEÃES QUINTET

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LUCIANO LEÃES TRIO

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LUCIANO LEÃES PIANO NIGHT

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